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terça-feira, 23 de abril de 2013

Sem politiquice associada


O Professor José Hermano Saraiva, em funções como Ministro da Educação, durante o governo de Marcelo Caetano, entre 1968 e 1970, quis melhorar as condições em que a educação era desenvolvida e ampliar o orçamento do seu ministério; foi-lhe dito que não havia verba. Na altura não havia onde pedir dinheiro emprestado a juros elevadíssimos, para desbaratar, mas também não havia crise financeira, enfim...

Perante tal entrave, este grande homem, sentindo-se revoltado, começou a mexer e remexer com o seu maço de tabaco a pensar para encontrar uma solução que pudesse auxiliar os seus bons propósitos (outra postura que os políticos de hoje não têm). De tanto mexer no dito maço percebeu que a solução estava mesmo à sua frente. Apresentou a proposta, que foi aceite, e colocou em prática medidas que melhoraram as condições de aprendizagem de alunos e de trabalho de professores: taxar o tabaco e usar o valor desse imposto para aumentar a verba disponível no seu Ministério. Simples, não?

A diferença entre esta iniciativa e o aumento de impostos que hoje se faz passa por vários aspectos:
- objectivo concreto e centrado;
- taxa sobre algo não essencial;
- imposto apenas a quem se aplicava a condição (fumadores);
- passível de evitar a taxação (pelos cidadãos);
- manter a dinamização da economia e do consumo;

Depois veio a possibilidade de "dinheiro fácil" com recurso a agiotas e desrespeito pelo próximo (literalmente "o próximo", os que vinham a seguir).
A vida tornou-se "fácil" porque havia verba até para desbaratar em projectos que nunca passaram do papel e que nunca foram inspeccionados ou confirmados.

E porque é que me lembro disto agora? Não lembro, vou lembrando, mas agora tive cinco minutos para escrever esta opinião que me acompanha como sombra. Como sou uma das pessoas que tem que pagar impostos, para cumprir com um compromisso nacional com o qual não concordei, e uma das pessoas que tem (mesmo que virando-me do avesso) que contribuir para a manutenção da economia nacional, fico-me por aqui em matéria de descrição opinativa e volto ao trabalho.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Crise (de mentalidade)


Há, pelo menos 13 anos que e fala em crise, mas só agora as pessoas se começam a aperceber do que isso realmente significa. Aperceber, porque tomar consciência é algo diferente e parece demorar. A nossa mentalidade Portuguesa está em crise, isso sim, e ninguém parece dar-se conta ou importar-se. Quem vê e fala é mal interpretado e raramente aceite como tendo uma opinião válida e realista...
Agora um estudo revelou que os Portugueses estão no fim da lista dos Europeus mais felizes. Ora... onde está a novidade? Somos o povo do fado, dos brandos costumes, da nostalgia, do "vai-se andando". Somos um povo sem grande vivacidade por natureza cultural. Qual é a surpresa com relação a sermos pouquíssimo felizes? Faz parte da nossa cultura, da nossa herança, da nossa postura enquanto povo. Nem pensem associar isso à mal fadada e mal falada crise!
Já agora, olhemos para trás, observemos a nossa história, não é difícil perceber que as finanças começaram a correr mal aquando da nossa adesão à, então, CEE. O Sr. Mário Soares assinou a nossa adesão com a promessa cumprida de fundos (a fundo perdido?), de créditos e apoios, e ninguém se opôs, pois, se é para receber venha ele, certo? Agora vemos o fundo perdido, porque estamos nós perdidos no fundo! Daí em diante foi um avolumar, um acumular, um aumentar, sempre a esconder.
O FMI já nos tinha visitado em 80s, os funcionários públicos já tinham visto os seus rendimentos diminuídos, pela mão do então Primeiro Ministro Mário Soares. É curioso, portanto, que agora a mesma medida seja por ele vista como um (cito) disparate tremendo. O que mudou, afinal? A medida é tomada por outra pessoa, de outro partido, e torna-se disparatada? Como diria o saudoso Tony (Feio): Hesito... isto parece-me conversa da treta.
Enfim, vivendo neste país é impossível não ter uma opinião sobre as medidas que nos afectam, não obstante ser uma opinião breve, porque é preciso trabalhar, não há tempo para muitas manifestações de pensamento.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A change is gonna come

Já dizia a música " a change is gonna come" e eu consigo senti-la, cheirá-la, quase tocá-la, mas será que sim?
Anos a sonhar, a esperar, a adiar e a projectar. Quando finalmente me decido, porque tem que ser, porque não dá para esperar mais, porque provavelmente só vai piorar, eis que piora mesmo!... E esta hein? Pois... raios partam a crise de que toda a gente fala; de que são culpados alguns mas da qual todos padecem e pela qual todos sofrem (uns mais do que outros, como sempre). Tenho que admitir o meu medo, o meu pânico controlado, porque ele existe, não é triste, nem é fado, mas existe e é medonho, o próprio medo. Claro que não vai ser esta nuvem que vai impedir a prossecução dos meus planos, mas vou viver daqui para a frente com receio, com o coração nas mãos, como se costuma dizer. Vou assumir o que sempre me gabei de não ter: um crédito! O momento chegou em que não se pode esperar mais. A casa que tenho não me permite avançar com o sonho da minha vida e não há outra forma de o fazer se não por meio desse grande monstro papão que me acorrentará até depois da minha morte; sim, porque duvido que aos 77 anos ainda cá ande a dar cartas e a opinar... enfim, agarro-me à esperança de que esta solução me preencha o abraço e dê cores mais vivas à minha vida. Bring it on!