segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Quem conta um conto...

...acrescenta um ponto. Sempre ouvi dizer. Contudo, esse acrescento nem sempre se deve à falta de memória para a exactidão, nem sempre tem por base a necessidade de tornar o conto mais interessante, mais dramático, por vezes o acrescento é uma deturpação exagerada, que pode ser vergonhosa, quando deliberada ou causadora de muitos mal entendidos se inadvertida. Quando ouvimos um conto é (quase) impossível dissociarmos o que ouvimos da nossa perspectiva e da nossa bagagem, mas há quem se cole de tal forma a essa roupagem egoísta que não consegue ver a realidade como lhe é apresentada; de tal forma que cria um texto tão alheio à realidade que se torna o oposto do que acabou de ouvir. A cereja no topo deste mau bolo é quando essa perspectiva tão errada e esse conto tão deturpado são transmitidos a terceiros, que a recebem como verdade e fazem o seu próprio juízo de valor.
Porque não podemos simplesmente ouvir e ver o conto que nos é confiado? As palavras raramente vêm sós; há o tom e a velocidade de voz, a linguagem corporal, os gestos, ... tudo isso contribui para a mensagem. Vamos lá levantar os olhos e afinar os ouvidos para não reproduzirmos um conto errado. É muito feio mentir, mesmo que inadvertidamente. Para mais, há pessoas que deturpam para que o texto lhes sirva melhor e lhes preencha os propósitos.. muito feio! Muito feio mesmo!...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

25 de Abril


Se a democracia portuguesa fosse um ser humano teria (amanhã) o seu 39º aniversário.

Seria uma pessoa com formação académica, mas sem educação social; desempregada mas sem interesse em trabalhar fora da sua área, porque vive agarrada (e incentivada para) o seu grau académico; a viver com o apoio dos pais e sem inteligência financeira.

Se a nossa democracia fosse uma pessoa viveria à custa do que não é seu (sobretudo de créditos e empréstimos), a prometer e a projectar sobre o que não vai cumprir nem pôr em prática.

Se democracia do nosso país fosse humana, seria um indivíduo, contudo, teria um batalhão de filhos, que levaria por arrasto na sua vida desregrada, e pais que se afundariam para o ajudar.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Sem politiquice associada


O Professor José Hermano Saraiva, em funções como Ministro da Educação, durante o governo de Marcelo Caetano, entre 1968 e 1970, quis melhorar as condições em que a educação era desenvolvida e ampliar o orçamento do seu ministério; foi-lhe dito que não havia verba. Na altura não havia onde pedir dinheiro emprestado a juros elevadíssimos, para desbaratar, mas também não havia crise financeira, enfim...

Perante tal entrave, este grande homem, sentindo-se revoltado, começou a mexer e remexer com o seu maço de tabaco a pensar para encontrar uma solução que pudesse auxiliar os seus bons propósitos (outra postura que os políticos de hoje não têm). De tanto mexer no dito maço percebeu que a solução estava mesmo à sua frente. Apresentou a proposta, que foi aceite, e colocou em prática medidas que melhoraram as condições de aprendizagem de alunos e de trabalho de professores: taxar o tabaco e usar o valor desse imposto para aumentar a verba disponível no seu Ministério. Simples, não?

A diferença entre esta iniciativa e o aumento de impostos que hoje se faz passa por vários aspectos:
- objectivo concreto e centrado;
- taxa sobre algo não essencial;
- imposto apenas a quem se aplicava a condição (fumadores);
- passível de evitar a taxação (pelos cidadãos);
- manter a dinamização da economia e do consumo;

Depois veio a possibilidade de "dinheiro fácil" com recurso a agiotas e desrespeito pelo próximo (literalmente "o próximo", os que vinham a seguir).
A vida tornou-se "fácil" porque havia verba até para desbaratar em projectos que nunca passaram do papel e que nunca foram inspeccionados ou confirmados.

E porque é que me lembro disto agora? Não lembro, vou lembrando, mas agora tive cinco minutos para escrever esta opinião que me acompanha como sombra. Como sou uma das pessoas que tem que pagar impostos, para cumprir com um compromisso nacional com o qual não concordei, e uma das pessoas que tem (mesmo que virando-me do avesso) que contribuir para a manutenção da economia nacional, fico-me por aqui em matéria de descrição opinativa e volto ao trabalho.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Já?!

Holy f...&#@...k!! De repente já nos 35?? Como é que eu aqui cheguei? E tão rápido!!
Na adolescência mal podia esperar pelos 18. Seria a grande revolução, o grito de Ipiranga, mas nem um gemido de Ipiranga, foi a grande decepção... nada mudou, mas ficou tudo bem. Perspectivava a minha vida até aos 25; tinha tudo imaginado, sonhado, não propriamente planeado. A partir daí, nada! Era o escuro total, como se nada mais houvesse. Os anos sucediam-se e eu continuava na penumbra. Tinha receio dos 30, imaginei que entraria em tal depressão que não sairia de casa nesse dia. Mas não... Tudo bem, gostei e até me senti muito bem, afinal, fazendo o balanço, não tinha tudo o que havia projectado mas tinha algumas e outras que nem havia sonhado. Não estava mal :) Só não pensava chegar a metade da minha vida (se a esperança forem os 70) sem conseguir o único sonho que sempre me moveu; essa é a minha grande tristeza - ter falhado nesse único e enorme ponto, não ter cumprido a meta. Nem tudo está perdido, mas está fugidio, difícil e impossível de retornar. Conselho? Se eu puder dizer: não esperem por ter tudo certo, tudo preparado. Muitas vezes esperamos pelo cenário perfeito e, quando finalmente fica pronto, a peça não estreia no dia que queríamos e o desalento é derrubador. A vida avança e quando damos por ela já deu um salto em comprimento... Agora resta esperar e nada é mais desesperante do que não poder fazer nada.
Bem que me diziam que a vida foge e que é preciso aproveitá-la. Eis um arrependimento que não tenho. Se não aproveitei mais (até agora) foi porque realmente não pude. O que fiz foi sempre de todo o coração, com a alma completa e corpo inteiro. Agora é continuar, sempre um dia de cada vez, e tentar que não caia tudo porque, para já, está tudo (bastante bem para a idade) no sítio ;) hehehehe

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Tempo

É muito triste principalmente porque é frustrante e eu odeio a sensação de impotência, de amarras... de frustração!
Nada do que tenho foi um sonho. Tudo foi trabalhado, lutado, conquistado, mas nada me acompanhou toda a vida, nada me motivou a seguir em frente como a única coisa que não tenho. 
Tinha um prazo, um limite máximo, que foi ultrapassado. Agora entro na fase do "começa a ser tarde" e continua a nada acontecer. Claro que já há uma fase em curso, mas não há nada que eu possa fazer para acelerar, movimentar ou agilizar. Absolutamente nada! A espera é horrível porque o tempo passa e penso "não há de demorar" mas o facto é que, nem de uma forma, nem de outra.
Depois há "os outros". Aqueles que não querem, nunca sonharam, nunca desejaram, mas a quem a vida concede o bem mais precioso porque ooops ou porque "estava na altura e a sociedade exige". Ora @§£€¨&*%!!! O que sinto não se aproxima da inveja; isso não tenho, mas sim da injustiça. Se há pessoas de quem posso saber sem que nem um nervo se mexa em mim, há outras me dá vontade de gritar, chorar, bradar da injustiça incalculável que acabou de acontecer!
E é isto, ultimamente tem sido assim, esta tristeza que é cada vez mais difícil de disfarçar e que mexe até com a capacidade de lidar calmamente com trivialidades...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Pensar ou não pensar...?

Quando sabemos que não adianta nada pensar e moer um assunto, mais o fazemos... porquê? É inevitável, é impositivo, é o nosso diabinho em desacordo com o nosso anginho, cada um empoleirado num ombro. Não chagamos a lado nenhum e o resultado é sempre stress mas é mesmo assim...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tu

Não é estranho que qualquer cama seja a nossa, mas que a minha, sem ti, seja estranha

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Fui eu?

Não te acontece olhar para algo bom, bem feito, bonito, sucedido e questionares-te, não por humildade mas por genuína surpresa "Fui eu que fiz? Este resultado tem a minha participação?"
Apesar de todos estes anos, de toda a segurança aparente e exposta, a dúvida persiste; mesmo no meio do orgulho, a surpresa emerge como salvando-se do afogamento saltando acima da água qual sereia em direcção ao céu "Fui eu?"
Maravilhoso...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Gente desta

Odeio gente ingrata, irresponsável, que não sabe avaliar circunstâncias mas se acha muito esperto, que, como diz o povo, cospe na sopa e, sobretudo, hipócrita!! Se odiar for demasiado forte, paciência. É muito perto disso o que sinto. Apetece-me apertar-lhes o pescoço, abaná-los, esbofeta-los, e dizer-lhes tudo o que me vai na alma!... mas não... há que ter contenção, limites, ser politicamente correcto... Detesto ter que manter a compostura com gente que não merece mais do que desprezo porque morde a mão de quem lhe dá o que comer!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher

Feliz dia em que ainda é preciso chamar a atenção do mundo para as mulheres que, no século XXI, ainda são mal-tratadas, abusadas discriminadas e consideradas inferiores, mesmo que tenham que ser mulheres, profissionais, mães, amantes, esposas, filhas, donas de casa, e tanto mais... enquanto do homem ninguém espera mais do que seja isso mesmo. Um homem, apenas por o ser, não tem que provar ou afirmar nada.
Os dias de ____ só existem quando algo está mal e, por isso, precisa de ser visto e mudado.

Só existem dias internacionais quando algo está errado com o tema que constitui a “celebração”. O Dia Internacional da Mulher não foge à regra.

Por todo o lado se vêem publicitações a festas, jantares, convívios, prendas, toda uma panóplia consumista e sem outro significado que não seja realçar a Mulher neste dia. E a Mulher nos restantes dias? E porquê o Dia Internacional da Mulher no dia 8 de Março?

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Quem pensa nisto quando se vai divertir para a discoteca com as amigas? Não defendo que devemos encarar este dia como um dia de luto e tristeza, mas acho que deveriamos agradecer e reverenciar estas e tantas outras Mulheres que deram a vida, a liberdade e o conforto para que as Mulheres de agora possam gozar da liberdade e dos direitos de que gozam. Direitos estes de que, tantas vezes, nem fazem uso. Tomamos por certo e pouco importante aquilo porque lutaram as nossas antepassadas.

Disto não faltam exemplos. O que mais vestem as Mulheres? Calças! Quem é capaz de dizer que, muitas vezes, se sente desconfortável por usar saia? Não recrimino, de todo; caminham melhor, sentam-se sem problemas de feminilidade, podem correr e não têm os seus passos travados. Mas alguém pensa nas que foram chamadas de sufragistas, discriminadas e humilhadas e até presas, por quererem usar calças? Na altura limitavam-se a usar um modelo algo estranho que consistia em apertar as saias compridas abaixo dos joelhos. Claro que podemos dizer que não passa de moda e não tem importância nenhuma. Abordemos, então, um direito que muito custou a adquirir e que hoje as mulheres desbaratam porque não lhes apetece sair, porque têm mais que fazer, porque não acreditam ou, simplesmente, porque preferem divertir-se em vez de participar nas decisões e no futuro do país. Falo do direito ao voto. Não esqueço um poster antigo que uma das minhas professoras (na Universidade) tinha na parede do seu gabinete. Tinha imagens exemplificativas que acompanhavam o seguinte texto: O que uma Mulher pode ser e não ter direito de voto – mãe, professora, médica, trabalhadora, (...); o que um homem pode ser e não perder o direito de voto – condenado, bêbedo, proprietário de escravos, demente, (...) E as Mulheres? O que fazem as Mulheres com este direito?

Sabia que as Mulheres continuam a ser discriminadas no trabalho? Fazem as mesmas, quando não mais, horas de serviço e ganham, em média, menos do que os homens. Nas entrevistas, ainda se pergunta se uma Mulher pretende engravidar, mesmo sabendo que este tipo de questão é proibida por lei.

Em casa, a Mulher continua a trabalhar. Quando foi a última vez que chegou a casa e se sentou no sofá a ver televisão antes de fazer trabalho doméstico? Porque não são as tarefas divididas? Porque será que quando há algum problema com os filhos estes e a responsabilidade competem à Mulher? Porque será que é a própria Mulher que critica a sua semelhante? Porque, caras(os) leitoras(es), a Mulher ainda se autodiscrimina. Porquê? Por vários motivos. Eu aposto na inveja; mas não vou desenvolver... Qual é a vossa opinião?

Porque será que nos arrepiamos com as atrocidades que são cometidas contra as Mulheres em todo o mundo, mas deixamos de pensar nisso logo que alguma trivialidade se nos apresenta e controla toda a nossa atenção? Porque nos encolhemos em vez de tentar saber o que podemos fazer, por menos que seja, para ajudar as Mulheres que continuam a ser mutiladas, em África? Sabia que, nos países Árabes, se uma Mulher for violada é presa por praticar sexo fora do casamento, ao passo que o criminoso continua a sua vida livremente? E o que dizer das Meninas chinesas que são mortas apenas porque nascem mulheres?

Até há bem pouco tempo, no nosso país, prevalecia a lei de “entre marido e mulher, não metas a colher.” Quantas Mulheres são violentadas, martitizadas, humilhadas e, em última instância, mortas, no seu próprio lar, ou no que deveria ser um lar. A sua vizinha pode estar a sofrer, mas você não vê. Porquê? Porque está metido(a) na sua vida e, no dia 8 de Março, vai dar/receber uma rosa e vai divertir-se com as suas amigas. E as Mulheres que abdicaram de tudo para você poder fazer isso?

Faça um favor a si mesma e abra os olhos para a sua semelhante. Faça uso dos seus direitos. Homenageie as Mulheres que lhe permitiram a liberdade de que goza. Acabe com o Dia Internacional da Mulher!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O tempo voa


E aí vem mais um ano no cartão de cidadão...
Até aos 18 andei a remos, nunca mais avançava... dos 20 aos 30, em velocidade de cruzeiro - maravilha... depois dos 30? Como é que se abranda o jet-ski??
É verdade que não me posso queixar. Aos 25 já tinha muito mais do que algumas pessoas de 35, no entanto, falta-me o mais importante... Acredito que lá chegarei; preciso de acreditar. É o motor da minha vida. Se deixar de acreditar, tudo o que faço, toda esta luta diária será em vão, será esforço inglório que visa a mera sobrevivência, por isso mantenho o sorriso e acredito que o pote de ouro realmente existe no fim do arco-íris.
Se puder permitir-me, deixo um conselho, o mais importante que aprendi até hoje (ou dos mais importantes): há que pensar muito bem antes de dizer que não se entende como algo pode acontecer ou criticar algo de forma depreciativa; a vida arranja maneira de nos fazer entender sentindo na pele. 34 anos depois de amanhã, se lá chegar, e este é o conselho que preciso de deixar, para já. Claro que há outros, mas hoje só falarei neste. Ou então não... não resisto a dizer: aproveitem cada segundo do vosso dia, mesmo que ele esteja a correr muito mal e só vos apeteça mandar tudo e todos para o outro lado. Nunca se sabe quando o tempo acaba. O tempo voa e quando olhamos para trás, é bom ver que aproveitámos ao máximo o sabor dos nossos dias, sem desperdiçar em queixumes, em mau humor, em mesquinhices e sentimentos negativos.
Não sou uma pessoa matinal, demoro para realmente acordar, mas fico feliz de cada vez que abro os olhos de manhã porque consigo ver, andar, cheirar, sentir e, quando olho pela varanda, sei que o sol, a chuva, o vento, o mundo, me esperam e preciso de os receber de braços abertos. O amanhã é hoje porque, como disse Janis Joplin, tomorrow never happens man... it's all the same fucking thing... mas este fucking thing não precisa de ser duro ou triste ou difícil, por mais pesado que seja o nosso fardo. Vivam como se não houvesse amanhã, porque pode não haver daqui a bocado

(imagem: it's good to be alive, by Rosie Hardy)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Crise (de mentalidade)


Há, pelo menos 13 anos que e fala em crise, mas só agora as pessoas se começam a aperceber do que isso realmente significa. Aperceber, porque tomar consciência é algo diferente e parece demorar. A nossa mentalidade Portuguesa está em crise, isso sim, e ninguém parece dar-se conta ou importar-se. Quem vê e fala é mal interpretado e raramente aceite como tendo uma opinião válida e realista...
Agora um estudo revelou que os Portugueses estão no fim da lista dos Europeus mais felizes. Ora... onde está a novidade? Somos o povo do fado, dos brandos costumes, da nostalgia, do "vai-se andando". Somos um povo sem grande vivacidade por natureza cultural. Qual é a surpresa com relação a sermos pouquíssimo felizes? Faz parte da nossa cultura, da nossa herança, da nossa postura enquanto povo. Nem pensem associar isso à mal fadada e mal falada crise!
Já agora, olhemos para trás, observemos a nossa história, não é difícil perceber que as finanças começaram a correr mal aquando da nossa adesão à, então, CEE. O Sr. Mário Soares assinou a nossa adesão com a promessa cumprida de fundos (a fundo perdido?), de créditos e apoios, e ninguém se opôs, pois, se é para receber venha ele, certo? Agora vemos o fundo perdido, porque estamos nós perdidos no fundo! Daí em diante foi um avolumar, um acumular, um aumentar, sempre a esconder.
O FMI já nos tinha visitado em 80s, os funcionários públicos já tinham visto os seus rendimentos diminuídos, pela mão do então Primeiro Ministro Mário Soares. É curioso, portanto, que agora a mesma medida seja por ele vista como um (cito) disparate tremendo. O que mudou, afinal? A medida é tomada por outra pessoa, de outro partido, e torna-se disparatada? Como diria o saudoso Tony (Feio): Hesito... isto parece-me conversa da treta.
Enfim, vivendo neste país é impossível não ter uma opinião sobre as medidas que nos afectam, não obstante ser uma opinião breve, porque é preciso trabalhar, não há tempo para muitas manifestações de pensamento.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Será demais?

Será o sonho algo de excessivo? Será demais querer algo uma vida inteira? Poderá ser obsessivo ao ponto de ter reflexos físicos?
Sonha-se, imagina-se, guarda-se o sofrimento duma ansiedade que nos sufoca ao mesmo tempo que nos invade de vida e de força, que nos motiva e empurra na vida. Vai-se aguentando dentro de certos limites, afinal, um sonho é imaterial, carrega-se e impulsiona-se mas não se palpa. E quando se torna possível materialização? O medo primeiro, o pânico depois, a ansiedade que aumenta exponencialmente e quase nos faz explodir porque a espera foi tão longa que tem que ser já, não dá para protelar mais, simplesmente não dá! Agora, antes que o medo da materialização invada e paralise. Mas nada... um mês, e outro, e outro,... Conjecturam-se todas as hipóteses, afastam-se todas as hipóteses, até que parece haver uma luz, algo baça, algo tremelicante, mas uma luz a que nos agarramos com todas as forças e, embora se consiga justificar cada átomo, cada reflexo, é uma esperança que envolve e imobiliza, é tão grande e tão forte que embacia toda a realidade. E depois o nevoeiro dissipa e nada mudou, afinal...
Para a próxima! Para a próxima será!!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Manifestação?!


Assim que ouvi falar na manifestação / protesto da "geração à rasca" questionei-me de imediato sobre o que as pessoas pretendem. Não poderá haver dúvidas de que se trata duma base estanha para contestar...
Claro que o país está mal; claro que há injustiças; claro que há despesas infundadas por parte do nosso Estado e Governo; mas o que se pretende com um protesto deste género? A demissão em bloco do Governo não nos vai tirar o pé da lama em que nos afundamos. Nenhum outro partido vai conseguir superar e solucionar as nossas dificuldades de um momento para o outro; por dois motivos essenciais: primeiro - ninguém sabe exactamente quão fundo está o nosso pé enterrado; segundo - não existem milagres! Tudo leva tempo para acontecer.
Sim, é um facto que muito está mal neste país e que muito deve ser mudado; mas ninguém no Parlamento é inocente. Nem mesmo os que defendem o proletariado e o trabalhador. Seja feita uma pesquisa a esses deputados e membros de partido e muitas nódoas serão descobertas.
Entretanto surgiu muito alarido em torno da nova música dos Deolinda. Ouvi com atenção e li a letra. Não lhe encontrei uma crítica ao sistema mas uma chamada de atenção à própria geração; pois se não, vejamos: quem os forçou a fazer um curso superior? Quem lhes disse que estudasse sem antes analisar bem e avaliar bem as saídas profissionais? Quem lhes disse que o canudo era a solução?
Pois é muito fácil continuar a estudar, a ter vida académica, a protelar, a viver de mesada, até que isso acaba e depois... depois nada! Porque não pensaram que mais cedo ou mais tarde teriam que encarar a realidade de serem adultos e deixar para trás a vida de estudante. Agora, de quem é a culpa de terem estudado e não conseguirem entrar no mercado de trabalho?
Como podem agora ser inventados empregos para quem andou contente e feliz a estudar sem pensar no dia de amanhã? A vida está difícil para todos. Se as saídas e futuro profissional tivessem estado presentes na sua consciência teriam iniciado a sua actividade profissional mais cedo, mesmo durante o estudo; mas é preferível viver academicamente, certo?
Geração quinhentoseurista, ouvi dizer. E qual é o problema? Faço parte desta geração: ganho 500€ por mês. Não é por isso que estou a viver à custa dos pais e não é por isso que adio a minha família. Tenho emprego (no meu caso é mais trabalho, porque emprego é o que a maioria das pessoas procura), tenho casa própria, tenho carro e tenho família; durante 3 anos vivi com 250€ por mês porque metade do meu ordenado pagava uma prestação. Com esse valor sustentava a minha casa e ainda me sobrava para mim, a nível pessoal. Nunca me passou pela cabeça ir para a rua reclamar que queria um vencimento compatível com a minha formação académica!
Amigos: é menos vergonhoso ganhar pouco e poder ter vida do que andar a reclamar que não se ganha nada e ser sustentado pelos pais. O pior é que quem está nesta situação, na maioria dos casos, não melhora porque não quer. Se está difícil com licenciatura, ainda fazem mestrado; se não conseguem na sua área, não consideram outras. Para começar a trabalhar, como na minha área estava difícil, menti ao meu primeiro empregador - apresentei o 12º ano como habilitação. Nesse emprego e no seguinte consegui aprender. Empenhei-me o mais que pude e, quando surgiu trabalho na minha área, mudei. Não ganho o que devia, no entanto, gosto do que faço, aprendo e desenvolvo enquanto pessoa.
É muito fácil lamentar e criticar; qualquer um faz isso; difícil é arregaçar as mangas e correr atrás da vida. Isso ninguém quer fazer.
Se vivêssemos numa sociedade utópica viriam convidar-nos para trabalhar, ou melhor, ocupar um cargo, assim que terminássemos o curso; no entanto, tal não acontece. Ainda assim... continuamos a formar-nos e a esperar que o futuro mude, que as empresas inventem clientes e dinheiro para nos oferecer cargos e altos vencimentos. Quando iremos nós parar para reflectir sobre isto, tão simples: quando todo o país tiver cursos superiores e ninguém tiver trabalho na sua área, porque o mercado está saturado, quem vai desenvolver este país? Porque não é o Governo quem desenvolve Portugal, é quem trabalha! E não é apenas quem tem um computador e uma secretária que trabalha, pois para haver vendas, exportações e alimentação, é necessário haver quem ponha mãos à obra. Quem descerá do seu canudo antes de andar a bradar aos céus e a dizer que está tudo mal e que a culpa é do Governo. É um facto que o Governo incentiva e apoia o estudo, mas não obriga ninguém...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tired and done

E assim termina.... acabou a minha força, a minha paciência, a minha resistência. Já não dá mais; esgotou; drenou; foi até à última gota. Agora não há mais que se possa pedir, não há mais que se possa dar, não há mais que se possa oferecer. Tudo o que resta são migalhas, pequenas gotículas do que antes era enorme. Foi!...
Continuarei sempre o teu braço, o teu ombro, o teu abraço e o teu calor, mas sem a energia e sem a resistência que sempre foi a minha. Afinal, nada no mundo é interminável, nem mesmo eu

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A change is gonna come

Já dizia a música " a change is gonna come" e eu consigo senti-la, cheirá-la, quase tocá-la, mas será que sim?
Anos a sonhar, a esperar, a adiar e a projectar. Quando finalmente me decido, porque tem que ser, porque não dá para esperar mais, porque provavelmente só vai piorar, eis que piora mesmo!... E esta hein? Pois... raios partam a crise de que toda a gente fala; de que são culpados alguns mas da qual todos padecem e pela qual todos sofrem (uns mais do que outros, como sempre). Tenho que admitir o meu medo, o meu pânico controlado, porque ele existe, não é triste, nem é fado, mas existe e é medonho, o próprio medo. Claro que não vai ser esta nuvem que vai impedir a prossecução dos meus planos, mas vou viver daqui para a frente com receio, com o coração nas mãos, como se costuma dizer. Vou assumir o que sempre me gabei de não ter: um crédito! O momento chegou em que não se pode esperar mais. A casa que tenho não me permite avançar com o sonho da minha vida e não há outra forma de o fazer se não por meio desse grande monstro papão que me acorrentará até depois da minha morte; sim, porque duvido que aos 77 anos ainda cá ande a dar cartas e a opinar... enfim, agarro-me à esperança de que esta solução me preencha o abraço e dê cores mais vivas à minha vida. Bring it on!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Flavour

I was recently told life is pink and tastes of chocolate. It is rather an over-romantic dreamy line and a somewhat difficult to take seriously statement but the truth is… it got me wondering: what colour would I say my life is and what does it taste like? Well, I am tempted to say it is blue, but that would suggest sadness, or white, but that would imply blankness, so I have to admit I am still puzzled and undecided as to what colour my life is.

As for taste, well, that I know; it tastes of morning air. It may feel more like a smell rather than a taste, but I mean that dewy fresh feeling that rests on one’s throat after taking a deep breath on a beautiful spring morning while there is still a light fog, just above the grass line… that’s what my life tastes like.

sábado, 7 de agosto de 2010

Desalento inerente

E simplesmente vais deitar-te, sem sequer tentar perceber o que estás a fazer de errado, porque, afinal, ao que parece, a culpa é minha, certo?

Desde sempre, mas sobretudo desde que tudo isto começou, eu tenho sido quem apara os golpes, quem segura a situação, quem te ampara, te dá alento e colo, sou eu quem tenta levantar-te e fazer-te ver a vida; mas não na tua óptica, pelo menos não de forma total. Dependendo da altura do dia, dependendo do teu estado de (in)consciência, eu tanto sou o teu anjo, que te guia e te segura, como sou eu quem te chateia e começa discussões que só tu sabes que temos (porque eu estou perdida, a tentar perceber que raio dizes, que encadeamente fizeste, e porque usas esse tom). No entanto, quem muda és tu, que usa expressões como “lá estás tu” quando é a primeiríssima vez que toco no assunto, e quem distorce és tu.

Ninguém seria, ninguém é, tão compreensivo, tão paciente, tão amigo, como eu, mas sou eu quem se esgota a chorar depois de te deitares porque não entendes o que andas a fazer de errado, e pelos vistos também não tens interesse em saber, porque não pensas no assunto.

Eu não sou psicóloga. Eu faço o melhor que sei, conforme posso, nem os teus pais te conhecem como eu e mesmo assim não consigo. Passas do mimo excessivo à agressividade gratuíta. Temos visões diferentes sobre um simples filme. Estás farto de saber a minha opinião, mas tratas o assunto com um dramatismo exacerbado, contorcido. De um momento para o outro eu já estou a querer impedir-te de comprar filmes porque considero que és bronco e os meus são melhores do que os teus, mesmo que alguns (dos meus) não sirvam para nada. Não foi nada disso e estás a distorcer tudo sem qualquer necessidade. Mas queres ouvir, realmente ouvir, o que eu digo? Não. Preferes usar esse tom como se fosse eu a mudar de postura e a tentar dominar algo sem qualque sentido. E eu estou a sentir-me completamente estúpida e sem qualquer coerência a debitar isto tudo porque apenas eu vi e senti; não consigo descrever e aposto que não entenderias se lesses ou mesmo se ouvisses, porque, neste momento, só ouves o que pensas; nem o que dizes ouves.

Amanhã vais levantar-te como sempre, a deambular, a procurar-me, e não vais lembrar-te do que fizeste porque, mesmo que te lembres, vais virar costas e preferir deixar para trás. Eu vou ficar a moer, a acumular e... a recear que com o avançar do dia e o teu despertar volte a acontecer. E como é que eu te faço ver e entender algo para o qual fechas os olhos ou viras as costas?

Toda a gente me pede paciência e todos se preocupam comigo, mas no fundo, a preocupação de toda a gente é contigo; é com a minha postura para contigo; é sobre a minha real capacidade de aguentar, suportar e carregar tudo o que se passa. Se eu não percebesse isso talvez fosse mais fácil, porque poderia enganar-me e acreditar; mas eu percebo e não posso dizer isso como gostaria – bem alto, bem rápido, lavando a alma!

Vou continuar do teu lado, vou continuar a segurar a tua cabeça, mas não será estranho quando me apetecer sair porta fora porque não aguento mais e preciso de explodir; só que não o farei, porque terei sempre medo que desta vez saltes mesmo da varanda, não estando lá eu para te segurar. Por isso dorme. É melhor que durmas, mesmo que a pensar que não me entendes e não sabes o que fizeste (nada) para que eu evite olhar-te e pouco te fale antes de te deitares com toda essa razão que não tens e não entendes

domingo, 11 de julho de 2010

If only I could

Ontem falámos em viver noutro país, com esperança, melhor do que este. Sem dúvida que há países melhores, com melhor qualidade de vida mas, neste momento, não há países que se destaquem. O mundo está em tumulto!
Durante muito tempo essa também foi uma mão que me chamava, uma porta que deixava passar luz, mas não pude aceder a esse chamamento. É engraçado como nos prendemos; se não por situações, por pessoas, por responsabilidades, por obrigações. Pelo menos a nossa presença fica presa. Mau, realmente muito mau, é se nós - espírito, vontade - ficarmos presos também. Eu continuo livre, mesmo com as minhas amarras e algumas raízes. Não posso permitir-me deixar de voar e, muito menos, de sonhar.
Não pertenço aqui. Estou aqui porque sim, porque a vida me conduziu até cá e fiquei. A minha vida é sábia, muito sensata, sabe sempre o que faz. Quando questiono e me ergo para contrariar, consigo vê-la, calmamente sentada dizer, pausadamente, 'tem calma, relaxa, um dia entenderás...' e é verdade; tudo o que outrora não entendi, algumas coisas que critiquei, ingenuamente, por falta de vivência, a minha sábia vida tratou de me fazer entender, demonstrando, fazendo vivenciar. Por isto sei que devo ter calma e aguardar. Um dia estarei onde pertenço e viverei como gostaria.
Foi curiosa a surpresa na tua postura quando te disse o que gostaria de fazer 'if I could'. Tenho quase total certeza de que já te tinha dito. [Em tantos anos já te disse tanto que por vezes me esqueço do que disse e do que deixei para depois. Não se devem deixar palavras partilhadas para depois; tentamos que não aconteça mas, por tempo, humor, ou prioridades, há sempre o que fica para depois e, muitas vezes, fica esquecido no turbilhão de acontecimentos que são os dias.]
Sim, isso é o que eu gostaria de fazer. Melhor: isso é o que farei. Até sei quando, mas não digo porque é triste e prefiro não pensar. Esse ponto de partida, preferia que nunca acontecesse; preferia não chegar nunca ao meu lugar; mas a vida não é eterna e nem todos somos para sempre.
Sei, mais ou menos, como será feito, mais ou menos como se seguirá mas prefiro não planear. Sonhar é suficiente, para já, e mesmo isto, sem grande pormenor. Basta-me a sensação... Se não posso, ainda, ter os momentos, ninguém pode privar-me de imaginar as sensações.
Um regresso a casa. É assim que sinto.
Regressar a casa sempre foi voltar ao local em que posso descansar, despojar-me, sentir segurança e perfeito relaxamento; por isso casa tem sido em muitos lados. Hotéis, por exemplo. Ouço pessoas dizerem que os hotéis são impessoais. Quando estou em viagem, um hotel é a minha casa. Quando chego e posso atirar o corpo à cama, estou em casa.
O regresso a casa, de que falo, é diferente. É um apelo, uma necessidade ventral, uma falta de algo que ficou e que precisa de ser colmatada; como naquela música "I'm coming home, to the place where I belong"...